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Vaias, xingamentos e apupos: nacionalismos esportivos À flor da pelÉ

Luiz Henrique de Toledo*

As vaias, assim como os xingamentos, universalmente associados aos descontentamentos, intimidação, mas também às ironias e jocosidades são poderosos instrumentos de vocalização de vontades e juízo esportivo entre torcedores. Mesmo sob o julgo do “padrão FIFA”, que tenta disciplinar velhas tradições na sociabilidade esportiva, vicejam aqui e acolá e têm sido tema de inquietação na mídia. Gostaria de articulá-los a alguns dos eventos que se seguiram nos primeiros momentos da Copa 2014, sobretudo aqueles em torno dos significados mais atrelados a noção de nacionalismo esportivo.

A FIFA ameaçou coibir com advertências ou atitudes mais severas o comportamento daquelas torcidas que ostentassem, física ou verbalmente, qualquer inclinação à intolerância racial ou de gênero neste megaevento. Os gritos de “puuuuuuto” vindos sobretudo das arquibancadas mexicanas, entoados no momento em que goleiros contrários repunham a bola no tiro de meta, cuja conotação seria atribuir ao adversário a condição supostamente fragilizada e moralmente condenável de gay, maricón ou “bicha” para usarmos um termo comum entre torcedores brasileiros, foi o indício dessas preocupações ainda na primeira fase do torneio. Por sua vez, a torcida brasileira também esteve na mira da FIFA na medida em que, ao menos no jogo contra os mexicanos, incorporou essa “contribuição” ao já minguado repertório de cantos e xingamentos exibidos até o momento, reduzido praticamente a um único e piegas “sou brasileiro com muito orgulho e muito amor”, expressão pouco popular em tempos que correm. Tal escassez, asseveram alguns, viria do perfil predominante, que identifica o “torcedor de copa”, chamado jocosamente de “torcedor coxinha” identificado muitas vezes como sendo pertencente aos estratos da elite branca e de pouca tradição e assiduidade nos estádios.

Para quem está de fora das arquibancadas fica difícil precisar se as intenções dos torcedores brasileiros, mais contidos e sem muito brilho se comparados a outros agrupamentos sulamericanos, encaminham tal performance sob o signo dos mesmos significados chulos que remetem de maneira negativa à homossexualidade, nítida conotação preconceituosa ou se estivemos diante de uma reação estetizada e contrastiva vinda do lado das arquibancadas brasileiras, uma vez que o substantivo puto na fala comum por aqui ganha corriqueiramente outros significados e deslocamentos sintáticos como intensidade ou qualidade, por exemplo, estar puto da vida ou presenciar um puto jogo de futebol.

Torcidas adversárias de um conhecido clube brasileiro, o São Paulo Futebol Clube, gastam repertório extenso de termos para atribuir aos torcedores desse time a condição de subalternidade de gênero que o campo da feminilidade historicamente e dramaticamente fora submetido. Com menor impacto midiático são paulinos retrucam torcedores organizados da Gaviões da Fiel do Corinthians Paulista os chamando de galinhas (similar ao bambi, que recebem dos corinthianos) e por aí tais expressões e nomes se espalham pela onomástica esportiva num bailado verbal alegre entre as rivalidades regionais, locais e nacionais atestadas pela quase ausência ou anuência crítica vinda de todos os lados, a começar da imprensa e dos poderes públicos.

Certa vez, nos anos oitenta, num jogo em que o São Paulo enfrentava o já citado Corinthians no estádio do Morumbi e ao ganhar as arquibancadas, tempos em que se ficava à mercê da superlotação em estádios brasileiros, um policial ao me empurrar desajeitadamente ficou “puto” quando o repreendi para que ele que não me tocasse e rapidamente saiu de perto de mim balbuciando que a torcida do São Paulo era mesmo de “bichinhas”. Ao se recompor e reconhecer o excesso, o policial desviou seu olhar do meu espanto, mas sobretudo, do riso que me tomou diante da inusitada irritação. Depois temi por ter chamado sua atenção, ele poderia simplesmente ter disparado o cassetete sobre meu corpo anônimo e sem qualquer consequência usar aquele artefato em punho que está sempre à espreita nessas ocasiões.
Níveis de intolerância física vazaram pelos poros de quase todos os agentes que frequentam estádios no Brasil, de torcedores a policiais, acompanhados dos xingamentos. No mais, é sabido que inúmeros exemplos como esse espalham-se no contexto sulamericano de futebol nesses jogos de rivalidades e hierarquias de gênero que servem de combustível para alimentar a falação torcedora e seus palavrões.

A intensidade das agressões verbais e corporais presentes na sociedade brasileira trazem evidentes sinais e conotações de gênero muito pouco coibidos até bem pouco tempo. Hoje a presença e visibilidade das experiências afetivas homoeróticas pelas ruas das capitais, das mobilizações políticas de grande repercussão, tais como as paradas LGBT ou o simples e cada vez mais contínuo desfilar de casais homossexuais de mãos dadas no cotidiano, preenchem a paisagem com uma diversidade até bem pouco tempo ausente nos espaços públicos brasileiros, trazendo outros sinais e nítida mudança na sensibilidade urbana, agora à revelia dos intolerantes. Os estádios não estão imunes aos tempos, mas é notório como ainda mantêm armadas as barricadas dos preconceitos e o quase silêncio da crônica esportiva, salvo quando o alvo é um ou outro jogador.

Sendo assim, a FIFA acredita que sua voraz capacidade civilizacional possa fazer redescobrir em nós mesmos, aqui do país sede, o significado original do termo puto ao sinalizar que a verborragia tão assumida no campo da ludicidade esportiva, e em outras esferas da vida, possa detonar processos psíquicos e sociais de alguma consciência no campo da sociabilidade futebolística. No mais é de espantar que não antecipemos em parte esse movimento que já está presente nas ruas, mas praticamente ausente no comportamento das arquibancadas.

“(...) cada nome feio que a vida extrai de nós é um estímulo vital irresistível”, escreveu Nelson Rodrigues na crônica Bocage no Futebol, de longe aquele entre os cronistas esportivos que no Brasil elevou os palavrões à condição sublime da prática do torcer. Palavrões libertam a alma das amarras do normativo, xingar é terapêutico, diria alguns, o núcleo criativo investido no uso dos palavrões estiliza e enriquece qualquer língua e o campo da ludicidade é recheado de termos vindos do baixo corporal ou dos estereótipos morais e das condições fenotípicas para denunciar abusos, evidenciar poderes corruptos, embaralhar hierarquias, fortalecer a subalternidade diante dos desmandos políticos. Enfim, a vida e a literatura (acadêmica, inclusive) são fartas desses insights.

Mas o que se coloca no momento é quais seriam os limites e eficácia semântica de alguns palavrões? Até onde se pode xingar uma pessoa que ocupa a presidência da república num estádio de futebol, tal como se pode notar na abertura da Copa do Mundo, quando uma ruidosa plateia mais abastada e socialmente mais distante da caracterização de “torcedores comuns” insistiu numa expressão chula (“vai tomar no c...”) para apupar a presença de Dilma Rousseff no estádio do Itaquerão, em São Paulo? É claro que nesse caso o xingamento não visou a pilhéria, o riso ou a ironia, mas a explicitação banal de uma controvérsia ideológica difusa em relação a conjuntura política, ideológica e administrativa. E a despeito das instabilidades de seu governo, nem mesmo a própria classe política recebeu bem tais iniciativas dada a natureza do jogo dinâmico da parlamentarização, que tende excluir os palavrões da arena pública em nome de decoros e protocolos.

E aí caberiam outras perguntas: quando os palavrões deixam de exibir ou nomear (com ou se gracejo) grupos passando a embaralhar ou obstaculizar o fluxo de novos significados? Quando perdem, enfim, a graça, mesmo entre aqueles que detém o poder de uso e gerenciamento desses significados diante de outros que são seus alvos historicamente preferenciais?
Parece mesmo que a FIFA, tão criticada por razoáveis razões que todos conhecem, traz à luz uma questão que a transcende. Não se trata somente de reivindicar o politicamente correto ou a profilaxia verbal e estética nos estádios. Quando algumas experiências distantes se aproximam, quando temos que conviver com a diferença dentro de casa e não mais jogamos com ela ou contra ela a partir de um exterior inexpugnável temos a possibilidade de repertoriar e renovar nossas experiências. Os palavrões não estão imunes a esse movimento e nessa esteira podemos inventar e inventariar outros risos, ou, quais sejam, outros preconceitos. Puto ou bicha parecem “pegar” menos hoje, ou ao menos perdem ainda que pouco a pouco a potência catártica que costumeiramente produziu o riso indiscriminado mesmo entre aqueles a eles ferozmente submetido.

Salto dos palavrões às vaias, e tomo aquelas sistematicamente impostas pela torcida brasileira ao jogador da seleção espanhola Diego Costa da Silva e que repuseram um certo sentimento nacionalista entre os brasileiros, até então conspurcado nessa copa.

Todo movimento organizado ou difuso de críticas à FIFA e aos governantes do país durante o processo de organização da Copa e que se intensificaram no período entre julho de 2013 e meados de 2014 foi interpretado na mídia como poderoso veneno contra as noções ingênuas de que por aqui desarticulamos futebol e política, ou seja, noções que conferem alguma ideia de nação, por um lado, e por outro a autoestima futebolística brasileira. Enfim, fora suposto, a nação havia despertado para um problema atávico que a alienava em torno do futebol e agora poderia se manter mais crítica até mesmo diante de um evento que há muito tempo se ansiava, uma outra copa do mundo. E prestar contas com a história e refazer os caminhos que levaram ao malogro esportivo em 1950 pareciam não justificar os investimentos a qualquer preço.

Situação quase inimaginável se tomarmos como fronteira o período anterior aos grandes movimentos políticos de rua inaugurados em meados do ano de 2013 que, como verdadeiros arrastões e vórtices, levaram de roldão ou escancararam as mazelas administrativas, e a Copa passou a vilã, pois concentrou e catalisou tais críticas devido a espetacularização dos gastos que frequentaram por meses as páginas dos jornais. E arranhada pela corrupção, pelos desmandos dos políticos e pelos investimentos condenáveis, estádios ao invés de hospitais, o nacionalismo esportivo se viu acuado dentro de sua própria casa. Ao invés de festeiros e alegres, traços aderentes ao estereótipo que se faz amiúde dos brasileiros mundo afora, o que se notou foi tensão, quietude e certo desprezo e crítica generalizada ao torneio.

As passeatas e manifestações ruidosas de julho de 2013 nos grandes centros urbanos do país foram fenômenos que receberam expressiva participação popular e midiatização, e somadas ao silêncio de outras multidões menos sensibilizadas pela ação

política direta, mas atentas aos resultados desses movimentos, criou-se um anticlímax de Copa que alcançou as experiências mais singelas. Ouviu-se de donos de bares que não iriam enfeitar seus estabelecimentos temendo represálias da parte daqueles que quase em estado de vigília permanente tomariam conta das ruas, intimidando quem aderisse ao evento futebolístico; a hesitação comunitária em pintar os espaços públicos com as cores verde amarelo, atividade intergeracional de sociabilidade muito comum nas grandes cidades, enfim, compuseram o mosaico de indícios e medos, exagerados diga-se de passagem, de que a Copa “dentro de casa” estaria senão fadada ao fracasso, ao menos bastante arrefecida no que se referia à participação popular, se comparada a outras mobilizações esportivas anteriores. “Não vai ter copa” foi um movimento que se manteve mesmo em dias de jogos, a despeito da baixa presença e certo esvaziamento popular, muito em função também, creio, da instrumentalização de partidos de esquerda e radicalização dos chamados black blocs, ativistas que em princípio se colocam à margem da representação política e privilegiam a ação (depredações de fachadas de bancos, uso das barricadas, etc).

A essencialização ou naturalização dos nacionalismos levou muitos povos às experiências mais tiranas, perversas e dramáticas de produção das identidades. Claro que o Brasil sempre esteve mais distante das instrumentalizações políticas que fizeram dos esportes poderosa arma científica e simbólica dessas experimentações e aventuras de projetos políticos mais ambiciosos. Mas futebol como “ópio do povo” ressoou aqui e acolá a partir de grupos políticos mais à esquerda, sobretudo nos anos setenta do século passado, mas tal investida sempre fora criticada por setores igualmente ditos de vanguarda e não foram poucos os intelectuais que discordaram dessa tese, afirmando que o futebol ao invés de alienar seria um poderoso instrumento simbólico de aprendizado social em vários planos.

Porém, alguma forma de tirania parece que se impôs nesse caso específico de Diego Costas se atentarmos para a lógica do “todos contra um” que pintou de cores sombrias a nostalgia nacionalista. O selecionado começou a copa titubeando, futebol pouco vistoso, erro de árbitro que favoreceu o Brasil e um sentimento de distanciamento e desconfiança da torcida que seguiu redimensionando nesses primeiros momentos de copa o nacionalismo esportivo. Em princípio, sinais de maturidade e pluralidade num país que segue em meio à copa tentando ainda digerir todos os movimentos recentes de autorreflexão política vinda das ruas, mas bastou que o técnico espanhol escalasse Diego Costa, aquele que a pouco “renegara” a seleção brasileira, que não escutara o chamamento de Felipe Scolari (retórico ou não, pouco importa) para que a reação verde amarela se manifestasse com intensidade e fizesse aflorar o nacionalismo esportivo. Vaiado compulsivamente em nome da pátria que traíra, Diego pouco fez pelo seu selecionado.

Claro que falamos apenas de apupos e manifestações dentro do estádio e vozes a defender a opção e escolha de Diego Costa espocaram em todos os lugares, porém o simbolismo das vaias não deve ser subestimado. Estoico, o jogador vaiado impiedosamente nos dois primeiros jogos da Espanha, fato que se soma à pífia performance em campo, seguiu com firmeza na sua escolha e, sereno, ainda afirmou que mesmo assim torceria pelo Brasil no transcorrer do torneio.

A natureza do nacionalismo é culturalizar (essencializar e instrumentalizar) determinados sentimentos, atitudes e tomadas de posição política que continuamente se forjam e se espalham pela sociedade. Porém, tal dinamismo produz suas zonas de intensidade e conflito, quer dizer, nem tudo é nacionalizado do mesmo modo, num mesmo ritmo histórico e nem serve de signo estanque dos mesmos agrupamentos sociais que o reivindicam. O futebol é um lugar onde podemos captar esses princípios dinâmicos da reificação. Quase sempre tomado como reduto de um patriotismo reativo, monolítico e renitente, ele, ao contrário, também é exposto ao jogo das “atomicidades” do nacionalismo, e numa mesma ocasião pudemos constatar a vaia pessoalizada a uma suposta má administração, momento em que certos setores da sociedade censuraram os princípios éticos e morais que norteiam a conduta de uma presidenta da república, para logo a seguir com a bola rolando aplaudir efusivamente a vantagem esportiva conquistada de modo espúrio (um pênalti mal assinalado pelo árbitro para o selecionado brasileiro diante da Croácia). Na sequência do torneio veríamos as vaias àquele considerado um “mau” patriota (fato que não ocorreu com outros brasileiros que igualmente defenderam outras seleções estrangeiras), que ousou exercer o livre arbítrio e equacionar sua carreira esportiva de outra maneira a ter que atender um chamamento de caráter nacionalista.

Vaias e xingamentos nos estádios apontam para o protagonismo esportivo dos torcedores diante dos poderes constituídos dentro das arenas esportivas. A rotinização de certas expressões e a densidade das mensagens que veiculam vão depender sempre do jogo político estabelecido entre muitos atores sociais cujas demandas extravasam em muito os propósitos do nacionalismo esportivo. Ficar atentos a essas demandas é reposicionar o futebol numa sociedade em mudança.

* Antropólogo, pesquisador do LELuS (laboratório de práticas lúdicas e sociabilidade, Universidade Federal de São Carlos - SP).

 
   
 
       
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